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Painel Plenário - Ano Internacional da Astronomia: O Céu e a Terra de Galileu
Moderadora: Nilza Costa, Universidade de Aveiro
Intervenientes:
Manuel Costa Alves, Instituto de Meteorologia C. Branco /Instituto Politécnico da Guarda;
Helena Caldeira, Universidade de Coimbra /Exploratório Infante D. Henrique;
Máximo Ferreira (Universidade de Lisboa / Centro Ciência Viva de Constância)
6ª feira, 25 de Setembro, 11:30 -13:00
Auditório do Cineteatro |
- Vale mais uma hora de ciência que cem de ignorância
Manuel Costa Alves, Instituto de Meteorologia C. Branco /Instituto Politécnico da Guarda
Resumo
Se não valesse mais uma hora de ciência que cem de ignorância não estávamos aqui, no Ano Internacional da Astronomia, pensando em Copérnico e em Galileu. Nem sequer teríamos a evocação de que conseguimos orbitar e aterrar (permitam que diga aterrar), há 40 anos, no solo lunar.
Foi numa hora de ciência que Pitágoras teorizou o que a sua imaginação viu e venceu o que mais ninguém via mas passou a ver num triângulo rectângulo. Foi há uns 2600 anos e terá fundado a Matemática tal como a concebemos hoje. Foi noutra hora de ciência que Arquimedes se soltou no “eureka” de quem “encontrou” o relâmpago da descoberta. Estávamos no século III aC e bem sabemos que todos os tempos permitem que uma hora de ciência traga mais luz à luz que já existia.
- O telescópio que mudou o rumo do pensamento científico: o contributo da Astronomia e de Galileu na construção de uma nova Física
Helena Caldeira, Universidade de Coimbra /Exploratório Infante D. Henrique
Resumo
O Ano Internacional da Astronomia 2009 é uma celebração global da Astronomia e das suas contribuições para a sociedade e cultura e marca o 400º aniversário das primeiras observações astronómicas por Galileu Galilei.
Muito se tem referido sobre este tema e, por isso, gostaria de dirigir as minhas reflexões numa direcção um pouco diferente, homenageando Galileu, como o cientista que contribui fortemente para a mudança dos métodos de construção do conhecimento científico.
Saber Física é conhecer a história das principais ideias que levaram à nossa actual compreensão de como o Universo físico funciona. E, igualmente, de como essas ideias foram construídas e de como evoluíram. Por essa razão, no ensino da Física, é tão importante apresentar não só as teorias actualmente consideradas correctas, mas tentar demonstrar como estas teorias foram sendo substituídas por outras que pareciam, até à altura, mais plausíveis.
A Astronomia tem um papel de relevo neste tipo de abordagem pois os métodos da ciência foram talvez pela primeira vez introduzidos quando se tentou reduzir os movimentos das estrelas e dos planetas e, em particular, do Sol e da Lua, aparentemente caóticos, a um sistema ordenado. Por outro lado, muitas das nossas ideias orientadoras em Ciência, não só no que diz respeito à metodologia científica mas também aos conceitos de tempo e de espaço, de força e de movimento provieram de teorias astronómicas antigas (Holton e Brush, 2001).
A própria investigação de Galileu sobre forças e movimentos foi estimulada pelos problemas astronómicos emergentes da batalha entre as visões do mundo de Ptolomeu e Copérnico. É bem conhecido como as observações realizadas com os seus telescópios tiveram um papel fundamental e decisivo na desmontagem dos modelos geocêntricos (Cohen,1985).
Uma coincidência feliz associa a missão Apollo 15 às celebrações do Ano Internacional da Astronomia: durante esta missão, foi realizada uma experiência que confirma a teoria de Galileu acerca da queda dos graves: sem o efeito da atmosfera, uma pena e um martelo largados em simultâneo atingem o solo ao mesmo tempo. Esta experiência relembra as características do pensamento de Galileu, a sua capacidade de abstracção e de generalização, que lhe permitiram, não só estabelecer as leis da queda dos graves, mas também a lei da inércia e os princípios da relatividade, ou o isocronismo pendular....
Embora tenha estudado a queda dos graves e o movimento de projécteis, Galileu nada estabeleceu quanto às forças em jogo, ainda que tenha especulado sobre isso. A gravidade, um conceito essencial, que consideramos estruturante para a compreensão cabal dos movimentos planetários, e a lei da gravitação universal, cuja formulação se deve a Newton, tiveram também o contributo percursor de Galileu, com a análise e reconhecimento da possibilidade de decomposição dos movimentos de projécteis e da forma das suas trajectórias (Campbell, 1953; Park, 1990; Santos, 1992).
Nesta comunicação, tentaremos mostrar, a partir das suas descobertas e explicações, Galileu como um cientista no seu melhor, como um investigador com importantes capacidades de argumentação, brilhante intuição e enorme entusiasmo pela pesquisa científica.
O Exploratório - Centro Ciência Viva de Coimbra, desde a sua criação, dedicou sempre particular atenção à divulgação da Astronomia. Sessões no planetário, observação astronómica, construção de modelos mecânicos para aprendizagem de alunos do 3º ciclo do ensino básico de diversos fenómenos (sucessão dos dias e das noites, eclipses, estações do ano...), elaboração de recursos escritos, formação de professores, de tudo um pouco se tem procurado desenvolver nesta área tão importante do conhecimento físico (Cruz e Caldeira,1999). Numa segunda parte desta comunicação, descreveremos o trabalho realizado.
- Galileu no Centro Ciência Viva de Constância
Máximo Ferreira (Universidade de Lisboa / Centro Ciência Viva de Constância)
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