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Conferências Plenárias
CP1 – A herança de Leonardo
CP2 – Educação em Ciências em tempo de globalização
CP1 – A herança de Leonardo
António Cachapuz, Universidade de Aveiro |
5ª feira, 24 de Setembro, 10:00 -11:00 |
Auditório do Cineteatro |
Resumo
“Arte e Ciência ajudam-nos a superar os problemas que a condição humana nos coloca”. António Damásio, 2005
Arte e Ciência espelham o potencial criador do Homem como fazedor de símbolos, quer seja uma obra - prima de Leonardo ou uma fórmula de Newton. Ambas representam a luta do Homem contra a perda da sua finitude e em ambos os casos ajudam a corrigir a estreiteza do senso comum.
Um dos traços da contemporaneidade epistemológica é a complexificação dos saberes, bem descrita por Morin. A utopia do Positivismo é assim posta em causa face às dificuldades epistemológicas decorrentes da rigidez e natureza segmentada que tal visão encerra. A incerteza e o questionamento da actividade científica, frequentemente vistos como uma limitação, transformam-se numa força impulsionadora para o progresso do conhecimento, e facilitam colocar a Ciência e a Arte no mesmo patamar de legitimidade epistemológica. Para a Ciência, não se trata agora de procurar “a” verdade mas sim mais verdade. E ao reconhecer o dinamismo dos seus processos de desenvolvimento também se torna mais tolerante. A oposição entre o mundo da verdade e racionalismo e o mundo da emoção e do belo torna-se insustentável. É disso que nos fala fundamentadamente António Damásio (o mesmo da citação em epígrafe) ao considerar que, “quando vemos um objecto de arte parecemos inteligentes”.
De certo modo, é da herança intelectual de Leonardo (o de Vinci) que aqui se trata. E é justo reconhecer no legado de um dos símbolos do Renascimento a inspiração para este trabalho. Paradigma do Homem renascentista, Leonardo foi criador na Arte, descobridor na Ciência e inventor na Tecnologia. Todos lhe devemos algo. No entender de historiadores como Martin Kemp, Leonardo “não adicionou apenas a Ciência à Arte, nem mesmo a Arte à Ciência, mostrou como a “ciência da arte” possuía uma unidade criativa particular, tanto em relação à forma como ao conteúdo”. No meu entender, esta é, seguramente, uma mensagem que ultrapassa, e muito, as fronteiras da Epistemologia e interessa à Educação.
Na verdade, uma das questões mais difíceis com que a Educação se defronta actualmente é de como fazer passar uma visão não compartimentada e redutora do conhecimento de forma a legitimar uma leitura mais eclética e tolerante do mesmo. A questão interdisciplinar está pois na ordem do dia, quer como legitimidade epistemológica quer como imperativo pedagógico.
A reflexão, de que aqui se apresenta um resumo, visa assim dar contributos para uma visão mais integradora dos saberes, na circunstância da Arte e da Ciência, e possíveis explorações no âmbito da Educação em Ciência.
Através da análise crítica de exemplos da criação em Arte e em Ciência, marcam-se possíveis vias de diálogo entre elas. A estruturação desses exemplos segue de perto o enquadramento teórico proposto por Kemp (2000) a saber: Descrição Analítica, Abstracção e Processual.
Assim, na Descrição Analítica, cabem exemplos, como os de trabalhos de Leonardo, relativos a representações em que os aspectos da aparência visual são enquadrados com base em interpretação intuitiva ou intelectualizada da natureza que é observada e como é observada (estamos no século XV). Referem-se estratégias e ferramentas usadas nessas representações.
Na Abstracção, analisam-se exemplos relativos a uma via de articulação entre Arte e Ciência que explora parâmetros sensoriais da nossa experiência quotidiana mas recorrendo a equipamentos tecnológicos que abarcam novas realidades e perspectivas de outro modo inacessíveis, revolucionando as escalas de percepção. Estão neste caso exemplos relativos ao uso de grafismo electrónico, holografia (entre outros) sobre objectos da Química ou Biologia.
Finalmente, no caso da via Processual, os exemplos analisados de possível diálogo dizem respeito aos próprios processos (e não aos resultados) da actividade investigativa em Arte e em Ciência. Neste caso, a análise visa destrinçar não só paralelismos, tais como a mobilização de dispositvos cognitivos análogos, mas também aspectos diferenciados tais como a natureza normativa (ou não) do discurso ou diferentes modos como a Arte e a Ciência se relacionam com a sua história. Em foco estão aqui exemplos das Artes Plásticas, Música e História da Ciência.
Num segundo momento, e já num registo educacional, apresentam - se exemplos no âmbito da Educação em Ciência em que se levou à prática os pressupostos epistémicos de um diálogo entre a Arte e a Ciência, com destaque para um recente de trabalho de ensino das ciências desenvolvido por uma professora com os seus jovens alunos.
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CP2 – Educação em Ciências em tempo de globalização
Isabel P. Martins, Universidade de Aveiro |
| Sábado, 26 de Setembro, 9:30 -10:30 |
Auditório do Cineteatro |
Resumo Desenvolve-se o conceito de globalização e procura-se reflectir sobre a Educação em Ciência à luz de desafios que a globalização acarreta. O papel da escola e dos sistemas de formação são cruciais para o desenvolvimento social mas este terá de ser concebido, desenvolvido e avaliado no enquadramento de cada época. Daí ter-se elegido a globalização como contexto para a reflexão. Os problemas que afectam hoje os sistemas educativos têm muito mais de global do que de nacional ou local.
Analisam-se estudos de fundo sobre o estado e as necessidades da educação em ciências, traduzidos em relatórios, e ponderam-se algumas inferências. As aprendizagens dos alunos, a formação dos professores e a avaliação comparativa deverão ser consideradas de forma interligada e fundamentada em quadros de referência da investigação educacional.
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